quinta-feira, 23 de junho de 2011

Chamadas Perdidas


Eles amavam-se, no fundo eram felizes.
Mas no meio de tudo, numa relação feliz, também existe a mágoa e a perda de toda essa felicidade.
Certo dia, o telefone toca, ela atende meio sem pensar em quem possa ser:
-Sim?
-Sim, Sou eu!
*Faz silêncio* - Tu de novo?
- Não desligues! Deixa-me falar.
Ela fica em silêncio.
-Olha, eu sei que terminámos. Mas, eu ainda te amo! Tudo bem, se não quiseres ficar mais comigo. Mas não era preciso deixares de me falar! Prometes-me que nunca irias sair do meu lado.
-(…) Tu ainda não entendeste? Eu quero-te esquecer!
-Eu entendo, mas podemos pelo menos ser amigos.
-Não, não podemos.
-Porquê?
Ela não lhe responde.
-Nós éramos felizes! Divertíamo-nos sempre. Só de olharmos um para o outro, já sorriamos. Poucas palavras já fazia o nosso dia valer a pena, não era?
-Era.
-Então explica-me, porque é que não podemos ser amigos?
(Ela fica novamente sem lhe dar qualquer resposta.)
-Responde-me!
-Porque eu não te quero ver mais, fizeste-me chorar!
-Eu sei, mas também te fiz sorrir! Desculpa se duvidei de ti, eu sei que não devia.
-Agora é tarde para desculpas.
-Mas (…)
-Adeus.
-Espera, eu amo-(..)
(Ela desliga-lhe o telefone.)
Até que PASSADO UNS DIAS, o telefone volta a tocar:
-Sim?
-Estou? Sou eu, outra vez!
-Tu de novo?! O que é que foi desta vez?
-Calma! Só te quero fazer um pergunta.
-(…)Fala.
-Amaste-me mesmo?
-Amei.
(Ambos permanecem em silêncio por um momento)
-Que bom. Quer dizer que não foi tudo mentira… Posso dizer-te uma coisa?
-Diz
-Eu ainda te amo e sempre vou amar. Eu prometo-te! Não importa quanto tempo possa passar, eu vou sempre gostar de ti.
-(…) Sim sim, claro!
-É verdade!
(…)
-Estou? Estás aí?
(Ela desliga-lhe o telefone.)
Passou-se um MÊS e o telefone voltou a tocar:
-Sim?
-Sou eu, não desligues por favor!
-Porque é que não deveria?
-Por favor, vamos terminar este assunto. Já nem te consigo ver na escola!
-Eu mudei de escola.
-Quê?! Mas porque fizeste isso?
-Não te quero ver mais, para mim já chega.
(…)
-Então? O que querias dizes, afinal?
-Porque é que tu ages como se me quisesses magoar?
(…)
-Fala!
-Então e tu, não me magoaste? Prometeste-me que ias confiar em mim…
(…)
-Tu só fizeste promessas e fizeste questão de as quebrar depois!
(…)
-Porque é que tu não mês esqueces?
-Porque o dia em que eu te esquecer, estarei morto.
-Então morre!
(Ela desliga-lhe a chamada, novamente.)
Passaram-se mais ALGUNS MESES. O rapaz continuou a ligar-lhe, mas ela deixou de lhe atender os telefonemas. Até que um dia, por algum motivo, ela atendeu:
-O que queres?
-Espera, não desligues, não vim correr mais atrás de ti.
-O quê?
-Sim, eu já te esqueci.
(…)
-Só liguei para te dizer isso.
-Porque é que decidiste esquecer-me agora?
-Porque tu pediste.
-Como assim?
-Eu amo-te e sempre vou amar. Mas vou te esquecer.
-O quê?! Não estou a entender!
-Adeus
-Não, ESPE-(…)
(E desta vez, quem desligou a chamada foi ele.)
Passado UM MÊS, o rapaz deixou de lhe ligar. A rapariga começou, a ficar preocupada com ele.
Foi então que decidiu ir à casa dele, para ver o que realmente se passava. Uma Senhora abriu-lhe a porta.
-Olá
A mãe do rapaz demora um pouco, mas reconhece a ex do filho: Olá… há quanto tempo, o que a trouxe aqui?
-Eu vim ver como está o seu filho… Será que posso falar com ele?
(A mão dele começa a chorar.)
-Você está bem?
-Não soubeste?
-Do quê?
-Ele… matou-se.
-O quê?! (Os olhos dela enchem-se de lágrimas)
-Penso que foi p’ra ti que ele deixou esta carta.
A rapariga pegou na carta e foi para casa. Quando chegou a casa, fechou-se no quarto, sentou-se na cama e começou a chorar.
Algumas horas depois, ela ganhou coragem e abriu a carta.
“Eu sei que não cumpri uma promessa quando não confiei em ti… Mas não quero que quebrar mais nenhuma. Agora sim, eu já posso dizer: eu esqueci-me de ti.”

A rapariga percebeu que aquele último telefonema foi uma despedida. Ele já tinha avisado o que faria, mas ela não havia entendido.
O rapaz havia cumprido a promessa de que a iria amar até ao fim, e que só a esqueceria quando morresse. Pois só lhe quis provar que cumpria as suas promessas, de um jeito ou de outro.
O que o rapaz não sabia, é que todos os dias a rapariga esperava pelos seus telefonemas. E sempre que desligava, começava a chorar. Por mais que dissesse que queria esquecê-lo, ela apenas se tentava convencer a si mesma disso. A rapariga sempre o tinha amado, mas depois de tudo, o orgulho falou mais alto, não querendo assim admitir o que o coração lhe sussurrava ao ouvido.
No dia seguinte, encontraram-na enfocada no seu quarto, com uma carta escrita por ela, onde dizia:

“Tu cumpriste as tuas promessas, agora eu tenho de cumprir a minha. Ficarei ao teu lado, não importa o que acontecer.”

Os dois cumpriram as suas promessas. Arrependeram-se apenas de uma coisa: não as terem cumprido juntos, em vida.
O amor, não é algo que se prova com letras e versos, mas sim algo que se sente, com o coração e a vida.
Ama, sente e vive!


(Parabéns ao autor deste texto)
Fonte do texto: net